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No meu livro "A Gênese do Homem-Deus" dividi a constituição
do Ser Evolutivo em três andares: o andar inferior ou instintivo, o andar
do meio ou mental, o andar superior ou espiritual.
O andar inferior ou instintivo (e é dele que vamos nos ocupar para
esclarecer a nossa teoria sobre o instinto - e sua contrapartida mitológica)
é formado pelo sistema orgânico, as vísceras e as conseqüentes funções
que resultam do metabolismo separadamente.
O tônus linfático,nervoso, gástrico, entérico, pancreático,sangüíneo,
muscular, etc compõem, conjuntamente, todo o processo vital e resulta na
energia que põe a máquina em funcionamento.
O sucesso dessa incrível conjunção orgânica está na ação que
denominamos instintiva ou ALMA INSTINTIVA.
Mas, vejamos, o que é instinto?
É a energia criada pelo processo metabólico, mais rudimentar, mais
densa, de cuja massa sublimada (quintescência) vai resultar, por sua vez,
na energia do segundo plano, ou energia mental.
Quando falamos do "mergulho das profundezas da alma"
referimo-nos ao processo através do qual a mente "mergulha"
(meditação profunda) no mar instintivo buscando a sua identidade.
Mitologicamente a Alma Instintiva está relacionada com a figura do Touro.
E o Touro mítico não é outro, se não o badaladíssimo Minotauro
cretense.
Quem é o Minotauro? Diz-se que sendo Minos, um poderoso rei, teve a Coroa
contestada por concorrentes que não aceitavam a sua origem divina, sem o
que não poderia ser um Rei...
Exigiram, pois, a comprovação de sua divindade.
Minos não se deu por vencido. Invocou os poderes de Netuno, que fez
emergir das profundezas oceânicas o Touro, mas exigia que após a
comprovação do ato de magia deveria sacrificá-lo.
Minos resolveu, entretanto, juntar o magnífico animal ao seu próprio
rebanho.
Netuno, para castigá-lo, enfureceu o Touro que foi motivo de grandes
transtornos para os cretences, sendo finalmente aprisionado por Héracles.
Mas Parcifae, mulher de Minos, teria tido relações sexuais com o Touro
(vê o Touro como símbolo da sensualidade) e dessa união monstruosa
nasceu o Minotauro, um monstro com corpo de homem e cabeça de Touro.
Para alimentá-lo Minos exigia que os atenienses mandassem todos os anos
sete donzelas que eram devoradas pelo Minotauro.
Nessa altura surgiu o Salvador, Teseu, que matou o Minotauro e fugiu com
Ariadne. O mito prossegue, e Tesu ainda participa de muitas aventuras. O
Touro mítico é o mais poderoso símbolo da sensualidade humana.
E o analista atento encontrará, neste mito, uma encantadora versão sobre
a fascinante epopéia do instinto tentando fazer impor sua força
contrariando, muitas vezes, a lucidez mental que busca a superação do
instinto.
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