| O Aspecto Mitológico da Alma Humana |
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Em minhas aulas gosto de afirmar que a Mitologia não foi escrita pela fértil imaginação dos gregos. A Mitologia é a história da criação de universos, deuses e humanos... E que o Olimpo dos gregos não é outro se não a própria alma dos humanos; e que os deuses são as nossas virtudes e os demônios são os nossos vícios... Se tomarmos para exemplo uma dessas almas humanas que deixaram, ao longo da história das civilizações, a abominável marca da destruição, da desgraça e do infortúnio que tem aviltado a nossa pretensa classificação de homo sapiens, certamente haveremos de parar e meditar se não nos encontramos muito mais para antropóides irracionais que para homens racionais... Nossa história começa com a terrível desgraça de um fratricídio quando Cain matou Abel... Escolhí dois líderes mundiais que nomeio e um terceiro que deixarei ao leitor a liberdade de escolha. O primeiros desses monstros foi Átila, cognominado O Rei dos Hunos, cuja alma miserável se comprazia no terror que causava aos seus semelhantes. Esse monstro, transvestido de humano devastou a Europa a Ásia e a África, incendiou cidades, dizimou populações inteiras, pelo insano prazer que causava a demoníaca figura... Átila, em seu delírio maligno se auto-proclamava O Flagelo de deus, e afirmava que onde o seu cavalo pisava jamais nasceria uma erva... Recentemente a figura de Adolfo Hitler aterrorizou o mundo. Os mais idosos ainda guardam em suas almas o flagelo da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas Hitler não estava só na confraria dos homens-demônios que infestaram a Europa e a América com suas nefastas alucinações. Para citar apenas um país, aliás, o mais acossado pela desgraça nazi-facista a França – o cadinho luminoso de nossa civilização, foi ocupada, ultrajada, humilhada, despida de sua dignidade, amargando durante cinco tormentosos anos a ocupação nazista e seus cruéis procedimentos, foi crucificada pela insanidade de seus verdugos... E essa guerra espúria culminou com a mais vergonhosa praga que tenha maculado toda a história de nossas civilizações, ao longo dos últimos milênios: a explosão da bomba atômica de Hiroshima. Amados leitores, a simples lembrança dessa catastrófica destruição quando dezenas de milhares de seres humanos foram queimados vivos, populações civís indefesas foram transformadas em cinzas, ou mutiladas, cânceres ambulantes sem socorro ou possibilidade de cura... Esse opróbrio rói minhas entranhas e a de tantos quantos seres humanos não contaminados pela brutalidade animalesco, tenham tomado ciência de tais holocaustos... Amados leitores. Observamos diante de nós, nas imagens de nossas televisões, as visões fantasmagóricas de horripilantes repetições desses quadros dantescos que nos assombram jogando-nos a beira de um abismo que parece não ter fim... Novos Átilas e novos Hitleres estão preparando as fogueiras para queimar novas cidades, dizimar novas populações, aterrorizar o mundo... E, hilariante falácia, falando em nome da paz. Esses flibusteiros da verdade acreditam em suas virtudes,
simplesmente porque se encontram drogados pela malsinada erva da alucinação
humana, tão hedionda quanto o vício que a alimenta... Amados leitores, esses Átilas e esses Hitleres, encontram-se diante de nós, viajando ao nosso lado, sentando-se a mesa conosco, conversando conosco, pregando sabedoria quando na realidade são estúpidos, pregando a virtude quando na realidade são viciados... Quem são esses espécimes vestidos de humanos. Os estudantes de oceanografia terão em suas almas excelentes cadinhos para observarem os distúrbios oceânicos dos maremotos... Porque em suas almas doentias certamente hão de se encontrar as raízes dessas aberrações... Somente há um meio de neutralizar a brutalidade desses sádicos companheiros do trem-bala da existência: e os alienarmos de sua nefasta companhia: procurarmos ser sábios para não enganarmos nunca; e virtuosos para não enganarmos jamais...
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