Temis- A Deusa da Justiça

JUSTIÇA, JUIZES E JUSTIÇADOS...

A Justiça é o tema de mais alta relevância, em todos os tempos, em todos os lugares, e entre todos os povos, desde que o homem existe como ser civilizado...

Temis era a deusa da justiça, na mitologia greco-romana. E lhe sobejavam atributos e virtudes para merecer tão honrosa unção. Segundo a mitologia era filha de Ouranos e Geia, o Céu e a Terra e esposa de Zeus – o Rei de todos os deuses e sua conselheira. Segundo Homero em sua Ilíada quando os deuses  se reuniam no palácio de Zeus e chegava a Deusa Temis, todos os deuses se levantavam para honrá-la e ofereciam-lhe taças de néctar...   

Ésquilo, um dos três gênios criadores da Tragédia Grega, dizia que Temis era mãe de Prometeu, o benfeitor da Humanidade que enganou Zeus, roubando o Fogo sagrado para ajudar os humanos em sua vida na Terra...

Na verdade Temis era uma deusa dotada dos mais nobres atributos. Tinha três filhas: Eumônia - a Disciplina, Dikê – a Justiça, e Eiriné – a Paz...

Administrava as Quatro Estações provendo, por conta da Natureza, a fartura distribuindo-a com equidade entre todos os humanos.

Infelizmente os humanos não foram dignos da benevolência da Deusa que tanto fez para preservar a humanidade de suas agruras cármicas...

A primeira atitude dos humanos foi tentar cegar a divina Temis, vendando-lhe os olhos. Naturalmente para que não percebesse os seus vícios e maldades.

A partir daí criaram tantas leis, centenas, milhares, milhões delas, para que jamais pudessem decorá-las ou sequer entendê-las... Por isso criaram o que chamaram “constituição” na tentativa de registrar todas as leis que inventaram para proteger os mais fracos contra a tirania dos mais fortes... Entretanto, como os que escreveram as constituições eram sempre os mais fortes e mais instruídos e sagazes, acrescentaram para cada artigo lúcido um parágrafo confuso e em seguida uma alínea injusta, preservando-se a si mesmos das malhas das leis por eles criadas...

E assim desde a Antiguidade os advogados se orgulham e até se vangloriam de terem induzindo juizes

na condução dos julgamentos...

Marco Túlio Cícero, o mais eloquente dos tribunos romanos, certa vez, convidado por um corrupto romano, mas com dinheiro suficiente para contratar um grande advogado, após ter sido absolvido por conta da eficiência do poder da oratória do grande Cícero, encontrando-o em uma praça de Roma após o desfecho favorável, aborda-o para o agradecimento...

Ao que Cícero, cheio de zelo por seu saber jurídico, apenas responde:

- Não há o que agradecer. Em um momento feliz, defendi uma causa infeliz...

Mais uma vez a Deusa Temis, por ter os olhos vendados, não pode perceber as maquinações do advogado, o qual, por ter largo conhecimento dos artigos, parágrafos e alíneas dos decretos constitucionais, absolveu um patife... Poderia ter, com os mesmo recursos da dialética jurídica, ter condenado um inocente à desonra de uma condenação injusta...

Não precisaria ter me reportado a um caso antigo da antiga Roma para citar os danos que em nome da Justiça ocorrem no cotidiano de todos nós.

Quando eu trabalhava como repórter no antigo Diários e Rádios Associados, fiz uma reportagem que justifica a colocação. Entrevistando um lavrador que teria matado uma paca e encontrava-se trancafiado no xadrez. O pobre homem chorando deplorava:

- Doutor, se eu tivesse matado o guarda não estava aqui...

Terrível pesadelo para a Justiça, para a Lei, para o Provedor da Lei e para todos nós, cidadãos que somos obrigados a compartilhar com esse apostolado da mentira...

Com certeza, a Deusa Temis pode não enxergar a crueza dessas ocorrências cruéis e desumanas...

E, certamente, se compensa, sabendo que a maioria dos advogados, juizes e governantes são justos e honrados...

Quando Sólon criou a democracia ateniense com certeza previu esses acontecimentos... Mas a Deusa da Justiça, Temis, ostentava orgulhosamente a Balança da Justiça. Ainda não tinha os olhos vendados. E, com certeza, tinha ciência de que as injustiças cometidas na Terra dos humanos seriam corrigidas pela Justiça Divina onde o “Olho Que Tudo Vê”é o Olho de Deus...