DIÓGENES - O MANTO, O BASTÃO E O TONEL

Nasceu no ano 413aC.,  esse homem excêntrico, misto de mendigo e filósofo que desprezava as leis humanas contentando-se, apenas, a se modelar nas leis da Natureza...

Uma espécie de Gandhi da Antiguidade grega, amado e respeitado pelo povo de Atenas e posteriormente pelos povos antigos e cultuado como um dos mais famosos filósofos gregos.

Como prova do reconhecimento dos seus contemporâneos de Atenas, depois de sua morte erigiram-lhe uma estátua de bronze, com a seguinte inscrição:

“O próprio bronze envelhece com o tempo, mas tua glória, Diógenes, nem toda a eternidade destruirá... Pois, apenas tu ensinaste aos mortais, a lição da auto-suficiência na vida e a maneira fácil de viver...”

O anedotário ao redor do seu nome é vasto, e vai desde a crônica irônica e até grosseira dos poetas cômicos que proliferavam em sua época, mas sempre prevalecendo a compaixão e um profundo amor dos cidadãos de Atenas por esse homem tão cortejado até por poderosos príncipes e reis como Filipe, Rei da Macedônia e seu filho, Alexandre Magno e Xeníades que o teria comprado como escravo, mas se tornara logo em seguida o preceptor dos filhos desse potentado...

O nome Diógenes vem do grego “dios” – Zeus, e “genes” geração, ou seja “Gerado por Deus...”.

Seu desprezo pelas leis, pelos ricos e potentados atraia, contrariamente ao que se poderia naturalmente presumir, a atenção e até a admiração desses potentados. Daí sua fama.

Quando Filipe, rei da Macedônia invadiu a Grécia avaliando entre os prisioneiros aquele homem excêntrico, perguntou-lhe:

- Sabes quem sou?  Ao que o filósofo respondeu:

- Um observador de tua ambição.

Impressionado, Filipe mandou soltá-lo.

Tempos depois Alexandre – o Grande -, filho de Filipe, atraído por sua fama, encontrando-o, banhando-se ao Sol em gramado dos arredores de Atenas, exclamou:

- Eu sou Alexandre, o Rei. Pede-me o que desejares. Ao que Diógenes responde com impaciência:

- Sai-te da frente do meu Sol.

Alexandre recriminou: “Não me temes?”  E Diógenes acrescentou: “Sois o Bem ou o Mal?  “Sou o Bem”, disse Alexandre. “E porque temeria o Bem?”, concluiu o filósofo.

Tamanha a admiração que Alexandre Magno se tomou por Diógenes que costumava afirmar que se não fosse Alexandre queria ser Diógenes.

Certa vez vendo um menino bebendo água na concha da mão quebrou a caneca afirmando... Um menino me deu uma lição de simpliscidade.

Era notória a ironia como Diógenes criticava  Platão e sua filosofia. Certa vez freqüentando um banquete que Platão oferecia, pisando nos ricos tapetes da residência de Platão afirmou com malícia:

- Piso no orgulho de Platão... Ao que Platão retribuiu:

- Com outra espécie de orgulho...

Certa vez Diógenes fazia um discurso na praça pública e as pessoas não se interessavam pelo tema. Diógenes parou de falar e começou a assobiar. Então o povo se voltou com grande admiração pelo assobio. E Diógenes os recriminou: “Como sois estúpidos. Quando falo de filosofia voltam-me as costas. Quando repito suas tolices contumazes, tomai-vos de interesse...”

Criticava as pessoas que pagam três dracmas por um estátua e se arengam ao pagar uma moeda de cobre por uma quarto de farinha. Criticava os atletas que competem se esmurrando em público, mas ninguém compete para se tornar moralmente excelente...

Costumava andar ao pleno meio-dia com uma lanterna acessa. Aos que perguntavam sobre tal excentricidade  o filósofo respondia: “Procuro um homem de Bem”.

Os atenienses o amavam, como ficou demonstrado quando um vândalo quebrou o tonel, dentro do qual dormia. O povo surrou o vândalo e comprou um novo tonel para Diógenes... Quando alguém o recriminava por freqüentar lugares sujos retrucava: “O Sol frequenta latrinas. No entanto, não se contamina.”

Diógenes escreveu vários livros: Cefalion, Ictias, A Gralha, Hipsias, Aristarcos, O povo Ateniense, entre outros. Afirmava que a moderação é solução para os jovens, consolo para os velhos, riqueza para os pobres e ornamento para os ricos... Diógenes morreu no mesmo dia em que morreu Alexandre...

Em Bom Jardim temos um Diógenes de Madalena, de 84 anos, que ornamenta nossas almas com sua filosofia em forma de versos...