A Dama das Camélias e La Traviata


Amado leitor, você já se emocionou até às lágrimas, lendo a mais magistral e emocionante obra de Alexandre Dumas Filho: A DAMA DAS CAMÉLIAS? Você já se emocionou até às lágrimas se deliciando, acompanhando, vendo, ouvindo, ao vivo, a apresentação de La Traviata de Verdi?

É verdade que esses eventos envolvem muito mais adultos, jovens e adolescentes do meu tempo...

Por pura falta de cultura, ó jovens! Não vos extasiais ouvindo a música celestial dos gênios...

Pois não acredito que mesmo os jovens de hoje, se se dispuserem a parar, e ouvirem a execução da Traviata, certamente se renderão ao magnífico espetáculo de beleza e arte, cores, emoções e melodias... E, garanto, não pagarão “micos”, porquanto tolos serão os que não fizerem coro com o entusiasmo da inteligência desperta na alminha de nossos jovens mais ousados... 

Se não, você precisa, pelo menos iniciar uma nova e deliciosa jornada intelectual.

Começando por ler a obra magistral de Alexandre Dumas Filho, a Damas das Camélias... E ouvir a mais pujante e pungente soma de cantos, acordes e melodias, arrancados do livro obra prima de Dumas e que o gênio de Verdi transformou na mais esfuziantemente bela de todas as óperas, por sua vez  transformada em magnífico drama melódico por outros gênios da Orquestra e do Canto Lírico...

A história comovente  da Traviata começou na França do século XIX quando a Terra de Voltaire produzia o que há de mais fecundo da inteligência humana.

Alexandre Dumas Filho, o genial autor de A DAMA DAS CAMÉLIAS, não ostentava o nome do avô, um nobre influente da Corte francesa, pois o pai, Alexandre Dumas herdara apenas o sobrenome da mãe. Isto porque o avô, de ascendência nobre, tivera uma relação sexual com uma escrava negra e dessa união nascera o mulato francês, Alexandre Dumas, pai, o genial escritor de O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, Vinte Anos Depois e muitas outras obras da literatura universal... 

O neto bastardo seguiu com real brilhantismo a carreira do pai famoso e de sua mente fecunda nasceu o romance A DAMA DAS CAMÉLIAS, transformado por Verdi no espetáculo deslumbrante de LA TRAVIATA. A ópera tem o prestígio de ser bela do princípio ao fim, nas 3 horas de sua apresentação...Aos nomes de Alexandre Dumas Filho e de Verdi  sou tentado a acrescentar o nome de MARIA CALLAS, a sublime e a mais encantadora cantora lírica de todos os tempos...

Particularmente, sua impecável interpretação em La Traviata divinizou mais ainda o magnificente espetáculo. Esteve no Brasil este fenômeno bendito do canto lírico universal. E o velho jornalista que  escreve esta coluna teve a subida honra de estar com a Callas em 1952, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Pude perceber-lhe o brilho singular, nos olhos da brilhante estrela...

A Diva já se encontrava, àquela época, no esplendor de sua exuberante carreira que perlustrou décadas... Infelizmente, embora cortejada por príncipes e reis e poderosos magnatas como o armador grego Onassis que lhe teria sido surrupiado pela Primeira Dama dos Estados Unidos Jacqueline Kennedy, no infaustuoso passeio mediterrâneo no Iate Escorpião do milionário grego...

Esses eventos, no entanto jamais ofuscaram a magnificente beleza e encanto gerado por Dumas, gestado por Verdi e divinizado admiravelmente por Maria Callas, cuja voz continua sublimando nossas emoções ao longo de nossos dias... 

Vale a pena, amado leitor, redescobrir valiosas emoções, direcionando a mente para uma cultura mais intelectual e refinada. A literatura como a música clássica e o canto lírico não são privilégio de castas humanas selecionadas...

Inúmeros programas são levados ao ar por emissoras como a Radio e a TV do MEC, e outros, quando podemos nos extasiar, viajando nas deliciosas melodias dos gênios da música... E a literatura clássica poderia ser igualmente incentivada pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado ou do Município.

Seria um presente augusto para o povo em geral. Não somente para os de menor alcance; como também para as pessoas ávidas de cultura, mas impossibilitadas pela distância provinciana de nossas plagas...

Porque agrada e faz bem à alma e ao espírito das pessoas cuja cultura possa atingir esse estado de doce enlevo diante dos acordes divinos da orquestra, dos solos e dos coros criados pela imaginação dos gênios da música... Como o que encontramos em La Traviata de Verdi... Ou nas obras primas dos  romances criados pela imaginação dos gênios da literatura... Como a Dama das Camélias de Dumas...